Ep. 20 | Mariana Jesus: engenheira civil estuda reforço de estruturas por aplicação de materiais compósitos

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MarianaJesusUm grupo do Departamento  de Engenharia Civil e Geologia da Universidade da Madeira tem vindo a estudar, com a colaboração de outras instituições, como a Universidade Nova de Lisboa, o reforço de estruturas por aplicação de materiais compósitos, nomeadamente através da aplicação de mantas de fibras de vidro, carbono e aramida. Mariana Jesus é uma das investigadoras envolvidas neste trabalho. 

Mariana Jesus explica que "o reforço por confinamento com recurso a materiais compósitos permite aumentar a capacidade de suportar cargas das estruturas, bem como aumentar a sua segurança quando sujeitas a ações intensas, como é o caso de sismos". Isto porque se tratam de materiais de elevada durabilidade, resultante da sua "significativa resistência à corrosão", explica. 

 A investigadora revela que, recentemente, "foi realizada uma campanha de ensaios experimentais no Laboratório Regional de Engenharia Civil, para avaliar o comportamento de pilares confinados por aplicação de reforço parcial, cujos resultados se encontram em fase de análise". Essa campanha de ensaios "englobou 26 provetes à escala real, em betão armado, instrumentados com recurso a defletómetros e a extensómetros de resistência elétrica para registo do comportamento dos provetes ao longo dos ensaios, realizados com recurso a prensa, até à rotura, controlada pela rotura frágil do material compósito", explica. 

Mariana Jesus afirma que esta campanha será ainda alargada a novas aplicações e que "os trabalhos serão desenvolvidos em paralelo na Madeira e na Universidade Nova". O objetivo principal será "contribuir para o conjunto de resultados experimentais disponíveis nesta área e melhorar a capacidade de previsão do comportamento das soluções estudadas através do desenvolvimento de modelos orientados para o projeto estrutural", garante a engenheira civil. 

 

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Ep. 19 | Roi Martinez: biólogo marinho faz caracterização da pesca comercial, artesanal e lúdica na Madeira

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roimartinezRoi Martinez é biólogo marinho e trabalha na Direção Regional de Pescas da Madeira, uma das instituições membro do Observatório Oceânico da Madeira. Atualmente desenvolve investigação na caracterização das pescas artesanal e recreativa na região. 

Segundo o investigador, "existe pouca informação disponível sobre a pesca artesanal praticada nas águas madeirenses e, por isso, estão a ser recolhidos dados de "capturas, baseados nas descargas e comprimentos dos peixes, para determinar as capturas por unidade de esforço e fazermos uma análise das povoações de peixes na região".

Esta equipa de trabalho está também a dar relevância aos impactos que este tipo de pesca, pesca lúdica, tem nos ecossistemas marinhos. Roi Martinez revela que "o objetivo deste trabalho consiste na caracterização dos aspetos biológicos, sociais e económicos desta atividade". Relativamente ao processo de trabalho, são preparados e distribuídos inquéritos aos pescadores e, segundo o investigador, em 2017 foram entrevistados mais de 800 pessoas ligadas à pesca apeada, submarina ou embarcada. 

Roi Martinez, desde há dois anos, acompanha ainda os concursos de pesca na região e recolhe informação biológica e estatística sobre os peixes capturados. Para além disso, monitoriza "a pesca grossa ou o chamado Big Game Fishing", contactando as empresas que realizam este tipo de atividade. 

Estas informações recolhidas, segundo o biólogo, servirão para a criação de um banco de dados com o intuito de posteriormente analisar o estado das pescas na região. "Estas informações são partilhadas com diferentes grupos de Portugal e Espanha que trabalham na área, para serem organizadas e estabelecer possíveis colaborações, assim como para escrever publicações cientificas sobre o tema", afirma. 

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Ep. 18 | Sara Tranquada: investigadora do M-ITI confronta diferenças de números entre homens e mulheres em áreas técnicas

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SaraTranquadaDo senso comum, retiramos a ideia de que há sempre mais homens do que mulheres a trabalhar em profissões técnicas que, neste caso, são conhecidas por áreas CTEM (ou seja, mulheres dedicadas às ciências, tecnologias, engenharias e matemáticas). Estatisticamente isto comprova-se, pois "a nível universitário há mais homens em busca de uma profissão técnica do que mulheres", refere Sara Tranquada, que foca a sua investigação no confronto destes números. 

Sara Tranquada é uma das investigadoras do Instituto de Tecnologias Interativas da Madeira (M-ITI) e centra-se no estudo das diferenças entre os números de homens e mulheres que igressam para uma profissão mais técnica, e que é, visivelmente, liderada pelo sexo masculino. 

Com a investigação, Sara e a equipa com quem trabalha concluiu nos primeiros resultados que, por exemplo, em engenharia, na Universidade da Madeira candidadataram-se 73 estudantes do sexo masculino e apenas 10 do sexo feminino e que isto é um retrato da realidade desta situação.

Sara Tranquada afirma que "ma possível causa para esta situação pode ser, como nos diz a escritora nigeriana Chimamanda Adichie, se fizermos algo repetidamente, esse algo acaba por se tornar normal. Do mesmo modo, se virmos a mesma coisa repetidamente, isso também se tornará normal. Se apenas vemos homens em áreas técnicas, então, em certa altura, tendemos a acreditar que apenas homens devem seguir essa área". 

O objetivo principal desta investigação é confrontar este fenómeno criando reflexão e debate, de duas formas: "através da interação com um dispositivo físico, em conexão com um ecrã, para criar um impacto na observação dos números de desigualdade dos géneros nos cursos universitários para os quais os alunos se candidatam e através de uma interação virtual para explorar como o pressuposto, de que certas ocupações são destinadas aos homens e outras às mulheres, influencia o subconsciente na resolução de problemas através de um enigma", explica. 

 

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Ep. 17 | Sérgio Lousada: hidráulica urbana e obras marítimas e fluviais

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sergiolousadaSérgio Lousada é professor na Faculdade de Ciências Exatas e da Engenharia na Universidade da Madeira e desde maio de 2012 é o responsável pelo Laboratório de Hidráulica do Departamento de Engenharia Civil e Geologia dessa universidade.

O engenheiro civil, nos últimos anos, tem-se focado na investigação da temática da Hidráulica, particularmente na hidráulica urbana e obras marítimas e fluviais, mas também no planeamento sustentável e ordenamento territorial. Em termos mais técnicos, o seu trabalho e o da sua equipa tem sido centrado no estudo de um sistema de prevenção de cheias. 

 Segundo as palavras de Sérgio Lousada, "parte desses trabalhos consiste em monitorizar e caraterizar a evolução do escoamento das ribeiras da cidade do Funchal em função de parâmetros climáticos. Estas ribeiras sofreram intervenção humana de regularização e isso introduziu variações no canal natural ao nível da largura, profundidade e rugosidade". Estas alterações provocam modificação no escoamento, sendo por isso fulcral realizar estudos que o caracterizem. Para isto ser concretizado, o grupo que trabalha com Sérgio Lousada utiliza modelos que integram a variabilidade espacial dos cursos de água, ou seja, que têm em linha de conta as referidas variações de largura, profundidade e rugosidade ao longo do seu percurso". 

O objetivo de toda esta investigação é "determinar como as estruturas hidráulicas construídas se comportam face a fenómenos extremos, neste caso, como se comportam face a galgamentos. A interpretação, interpolação e extrapolação dos dados recolhidos contribuirá para melhorar substancialmente a qualidade da informação disponível. O engenheiro civil garante ainda que "esta informação é útil para apoiar as tomadas de decisão, gestão e melhorar os sistemas de prevenção". 

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Ep. 16 | Fátima Gouveia: engenheira civil desenvolve estudo em gestão de riscos naturais

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FátimaGouveiaSegundo Fátima Gouveia, engenheira civil e professora auxiliar convidada na Universidade da Madeira, "os riscos naturais com maior expressão aqui na Madeira estão associados à ocorrência de deslizamentos de taludes, queda de blocos nas vertentes de elevado declive e cheias rápidas e intensas, com transporte de detritos – ou por outras palavras, as aluviões".

As aluviões ocorrem de forma geral em "períodos de precipitação intensa, associada ao relevo irregular e montanhoso, que é característico da ilha, pode assumir grandes proporções", refere. 

A engenheira civil revela que "a investigação em questão está integrada no projeto europeu – PAGEO – Plataforma Atlântica para Gestão do Risco Geológico -, desenvolvido no âmbito do Programa Europeu INTERREG Atlântico". O seu trabalho tem como objetivo "analisar a situação atual no que concerne à perceção de risco pela população e estratégia de mitigação de efeitos associados a desastres naturais na região". 

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