Ep. 16 | Fátima Gouveia: engenheira civil desenvolve estudo em gestão de riscos naturais

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FátimaGouveiaSegundo Fátima Gouveia, engenheira civil e professora auxiliar convidada na Universidade da Madeira, "os riscos naturais com maior expressão aqui na Madeira estão associados à ocorrência de deslizamentos de taludes, queda de blocos nas vertentes de elevado declive e cheias rápidas e intensas, com transporte de detritos – ou por outras palavras, as aluviões".

As aluviões ocorrem de forma geral em "períodos de precipitação intensa, associada ao relevo irregular e montanhoso, que é característico da ilha, pode assumir grandes proporções", refere. 

A engenheira civil revela que "a investigação em questão está integrada no projeto europeu – PAGEO – Plataforma Atlântica para Gestão do Risco Geológico -, desenvolvido no âmbito do Programa Europeu INTERREG Atlântico". O seu trabalho tem como objetivo "analisar a situação atual no que concerne à perceção de risco pela população e estratégia de mitigação de efeitos associados a desastres naturais na região". 

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Ep. 15 | Carla Lucas: psicóloga desenvolve projetos de promoção de bem-estar psicológico na UMa

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foto Carla Lucas 2O Serviço de Psicologia da Universidade da Madeira (UMa) destina-se a estudantes e funcionários da universidade, bem como à restante comunidade da RAM, disponibilizando consultas de psicologia e outras atividades, como workshops para promover competências pessoais.

Carla Lucas é psicóloga neste serviço e defende que "a aposta na prevenção da saúde mental e na promoção do bem-estar psicológico assume-se como fundamental, porque efetivamente sem saúde mental não há bem-estar, não há saúde física e não há prosperidade económica para o país". A psicóloga justifica então os objetivos deste projeto, que passam por desenvolver práticas de intervenção psicológica sustentadas na investigação, que auxiliem na capacitação das pessoas, nomeadamente dos estudantes universitários, que são o nosso foco principal de atuação".

Uma forma de juntar as duas componentes essenciais ao desenvolvimento deste projeto será "conciliar então a prática clínica/educacional com a investigação, que vai desde a avaliação da eficácia das intervenções psicológicas individuais e/ou de grupo realizadas, à ajuda no desenvolvimento de ferramentas adjuvantes à promoção do bem-estar psicológico". 

A psicóloga explica ainda que, "para o desenvolvimento de algumas destas ferramentas, são integradas equipas multidisplinares", e um exemplo disso é o facto de este serviço se ter "articulado com o  Mestrado de engenharia informática da UMa, projetos que colocam as tecnologias digitais ao serviço da promoção do bem-estar psicológico do estudante universitário, nomeadamente: a construção de uma aplicação móvel de monitorização de bem-estar e sucesso académico para estudantes e a construção de uma plataforma eletrónica “ToolBox: Estudante Universitário” (que será brevemente disponibilizada), e na qual o estudante poderá encontrar materiais psicoeducativos e exercícios personalizados e interativos, baseados na evidência, subordinados à experiência académica (ex.: gestão de ansiedade, métodos de estudo)." Para além destas parcerias no seio regional, este serviço recorre à colaboração com outras instutuições, como é o caso da Universidade do Porto, "em investigações ao nível do bem-estar estudantes universitários, relacionamentos interpessoais e avaliação de eficácia de programas de educação para a saúde", revela.

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Ep. 14 | Fábio Ascarani: investigador do ISOPlexis estuda recursos genéticos vegetais da Madeira

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fabioAscariniFábio Ascarani trabalha atualmente através de uma bolsa de investigação no Banco de Germoplasma – ISOPlexis da Universidade da Madeira, cujo projeto no qual se encontra envolvido conta com o apoio do PRODERAM. Este projeto baseia-se no conceito da biodiversidade agrícola. 

Segundo o investigador, "biodiversidade agrícola" é ainda um conceito do qual poucas pessoas têm um conhecimento exato. O seu objetivo principal trata-se de "inventariar, caracterizar e guardar recursos genéticos vegetais da região". Relativamente ao trabalho propriamente dito, o engenheiro agrónomo explica em detalhe que vai, juntamente com outros membros da equipa à qual pertence, "a vários locais da ilha, falar com agricultores, associações de agricultores e entidades envolvidas em agricultura". Atualmente, refere, a equipa interessa-se maioritariamente por "recursos de macieira, pereira, ameixeira, cerejeira, castanheiro, ginjeira, figueira, mirtilo, cidreira, batata-doce, cebola, anona, maracujá, abacate e mangueiro". 

Fábio Ascarani afirma que a Madeira é rica em variedades locais destas plantas e explica o conceito de "variedades locais" como "uma variedade que se desenvolve num espaço limitado, adapta-se às condições climáticas do sítio e é melhorada geneticamente por seleção do agricultor". 

No caso de árvores de fruto, o que esta equipa tem feito é, segundo exemplo dado pelo investigador, "detetar o lugar onde os pomares são localizados, retirando as coordenadas GPS e realizando inventários e mapas; recolher material vegetal (folhas e frutos) para medir e caracterizar cada variedade; promover a multiplicação e a instalação de novos pomares com fruteiras regionais". 

"A Madeira já tem 28 variedades regionais inscritas no Catálogo Nacional de Variedades de Espécies Fruteiras", revela o engenheiro agrónomo. O seu trabalho visa ainda "aumentar o nível de informação sobre estas variedades".

 

 

 

Ep. 13 | Maria João Lima: Investigadora estuda o transporte de partículas entre montes submarinos para compreender a ligação entre estes ecossistemas

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Maria João Lima minMaria João Lima trabalha no Observatório Oceânico da Madeira (OOM), no grupo de Oceanografia Física. Para executar o seu trabalho, utiliza uma ferramenta matemática que lhe permite "mapear possíveis trajetórias, quer para a frente quer para trás no tempo, por exemplo, de boias derivantes, de derrames de petróleo, de plásticos e ainda de larvas de diferentes espécies".

A ferramenta matemática que utiliza chama-se Lagrangiana, e é usada para "lançar (informaticamente) um determinado número de partículas virtuais que representam uma parcela de água. Estas partículas podem ser lançadas às centenas ou até milhares e podem simular organismos que não têm movimento próprio ou objetos dispersos", esclarece a investigadora. Para além desta ferramenta, Maria João também recorre a dados de modelos de circulação oceânica. 

No seu trabalho atual, Maria João estuda o "grau de conectividade que existe entre o grupo de montes submarinos conhecidos por Great Meteor e Madeira-Tore, que estão localizados, respetivamente, a Oeste e Nordeste da ilha da Madeira". Para contextualizar, "um monte submarino é uma montanha que se eleva do fundo do oceano sem atingir a superfície", explica. 

 Ao número de partículas virtuais que são lançadas a partir de um monte submarino e que vão ter a outro dá-se o nome de "conectividade". Essas partículas também podem ser encontradas no mesmo monte a partir do qual foram lançadas, explica a investigadora. De uma maneira mais simples, podemos dizer que "os fatores que contribuem para estes fenómenos são, por exemplo, as correntes, que podem favorecer ou impedir o movimento destas partículas entre os vários montes submarinos".

Para além deste trabalho, Maria João complementa esta investigação com a identificação dos "montes que atuam como principais recetores ou emissores de partículas". Explica ainda que isto é importante pelo facto de permitir que se saiba "se um determinado monte depende apenas das partículas que ele próprio produz ou se é sustentado pelas partículas que vêm de outros montes". Para rematar, a investigadora do OOM realça que esta informação é relevante para "identificar os principais processos físicos responsáveis pela ligação ou isolamento das populações de organismos marinhos dos montes submarinos, como, a longo prazo, será essencial para a caracterização da biodiversidade destes ecossistemas (ainda muito pouco explorados) e para a definição de novas Áreas Marinhas Protegidas".

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Ep. 12 | Rosa Pires: Programa para a preservação do Lobo-marinho na Madeira

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RosaPiresRosa Pires desenvolve, através do Instituto de Florestas e Conservação da Natureza, o Projeto LIFE Madeira Lobo-marinho, que consiste na recuperação desta espécie e no aumento do conhecimento existente sobre a mesma. 

"A foca mais rara do mundo", como refere a técnica superior Rosa Pires, continua a ser uma realidade na Madeira graças ao programa que defende a sua conservação. "O trabalho desenvolvido tem permitido a recuperação da população e um melhor conhecimento sobre esta espécie. A população estimada em 6 a 8 indivíduos, em 1988 é atualmente de 25 a 30. O crescimento da população contribuiu para o alargamento da área de distribuição da população que para além das Ilhas Desertas passou a incluir, também, a ilha da Madeira", explica. 

Este projeto - "Projeto LIFE Madeira Lobo-Marinho" - trouxe a implementação de metodologias inovadoras, como as câmaras fotográficas e o sistema GPS, para monitorizar a população de lobos-marinhos na Madeira. Segundo Rosa Pires, estas metologias têm "permitido seguir o estado da população de forma bastante rigorosa trazendo à luz conhecimentos inéditos, fundamentais para orientar adequadamente a conservação desta espécie emblemática". 

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